Doze árvores morreram no processo de transplantio

Ambientalistas apontam falhas no processo de transplantio das árvores para o Horto Municipal.

Ambientalistas visitaram ontem o Horto Municipal, no Passaré, para analisar as condições das árvores que estavam nos canteiros centrais das avenidas Santos Dumont e Dom Luís, na Aldeota. A retirada das plantas ocorreu para viabilizar a implantação de sistema binário entre as duas avenidas, como previsto no Plano de Ações Imediatas em Transporte e Trânsito (Paitt). Doze das 202 árvores morreram durante o processo de transplantio. De acordo com os ambientalistas, o Plano de Transplante e Manejo da Flora não foi completamente cumprido pela Prefeitura de Fortaleza.


O documento foi apresentado ao Ministério Público do Estado (MP/CE) para garantir a retirada das espécies. Tudo como parte do Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) assinado no começo de abril.


Os ambientalistas identificaram falha na poda que antecedeu a retirada das árvores. Segundo eles, a Prefeitura descumpriu as normas técnicas do documento, que indicava a realização do serviço 30 dias antes de retirar as plantas.


Árvores prestes a tombar e com cortes drásticos também foram observadas. Em alguns casos, galhos inteiros estavam eliminados. As normas também previam a indicação do posicionamento da planta em relação ao norte geográfico, o que, segundo eles, foi feito apenas em algumas delas.


Leonardo Jales, integrante do Movimento Pró-Árvore, diz que a poda e o transplantio não poderiam ocorrer no mesmo dia da retirada das espécies. Para ele, as ações não respeitaram o tempo necessário de cada processo. “As plantas perderam muitas folhas. Vimos aqui casos de redução quase total da biomassa. Isso foi muito agressivo para elas”, aponta.


De acordo com Jales, a tendência é que mais árvores morram até encerrar o período de quarentena. Ele diz que as espécies mais danificadas são as nativas, como ipê-roxo. “Essa espécie tem raízes muito profundas, o que dificulta o transplantio. Deveriam ter um cuidado especial com elas, porém não houve. A poda foi drástica e, com certeza, esses ipês não sobreviverão”, opina.

Prefeitura

De acordo com Rafaele Dantas, diretora do Departamento Técnico de Urbanização da Empresa Municipal de Limpeza e Urbanização (Emlurb), parte das plantas que morreram já estavam danificadas. “Algumas tinham as raízes e os trocos comprometidos e não dava pra fazer a transplantação dessa forma”, justifica.

 

A diretora admitiu a poda das árvores fora do prazo de 30 dias de antecedência e os cortes drásticos. Segundo Rafaele, existem justificativas para todas as ações e elas serão divulgadas após reunião com a equipe.


“Todas as decisões tomadas foram técnicas. O Plano de Transplante e Manejo é apenas uma orientação”, afirmou o presidente da Emlurb, Ronaldo Nogueira. Segundo ele, em algumas plantas o corte drástico foi feito para garantir o transporte até o Horto e o posterior transplantio. Nogueira também afirmou que diariamente as plantas são acompanhadas por técnicos.


Opositor do governo municipal na Câmara, o vereador João Alfredo (Psol) acompanhou a visita dos ambientalistas e disse que vai levar as denúncias ao Ministério Público Estadual, após realização de relatório técnico apontando as falhas.


De acordo com a promotora Socorro Brilhante, coordenadora do Centro de Apoio Operacional da Ecologia, Meio Ambiente, Paisagismo e Patrimônio Histórico (Caomace) do MP/CE, a Prefeitura pode pagar multa diária de R$ 10 mil caso sejam comprovadas as falhas.

 

Saiba mais


As árvores continuam em período de observação pelos próximos 37 dias. De acordo com a Emlurb, as plantas estão sendo monitoradas por uma equipe de agrônomos biólogos e recebem cuidados diários como adubação, irrigação e tratamento para prevenção de doenças.

 

Em matéria publicada no último dia 30, a Secretaria Municipal do Urbanismo e Meio Ambiente (Seuma) informou que as espécies exóticas ou mais fragilizadas permanecerão no Horto Municipal. As que apresentarem maior grau de resistência deverão ser inclusas no Plano de Arborização de Fortaleza e realocadas “conforme demanda e necessidade”. Locais ainda não foram divulgados.

225 novas árvores deverão ser plantadas nas calçadas das avenidas Dom Luís e Santos Dumont até o dia 31. A informação foi divulgada pelo prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio, em encontro com secretários da gestão no fim de abril.

Fonte: http://www.opovo.com.br/app/opovo/cotidiano/2014/05/08/noticiasjornalcotidiano,3247590/doze-arvores-morreram-no-processo-de-transplantio.shtml