Arvorismo no Parque do Cocó não funciona desde setembro

Inaugurado há menos de um ano, equipamento já não pode ser utilizado por quem frequenta o Parque do Cocó. Fim de contrato com entidade responsável pelo monitoramento teria motivado o abandono há um mês.

 


Isso é típico do Brasil né? Ter coisas e não funcionar”. A conclusão é da canadense Pier Leway, quando soube que o arvorismo do Parque do Cocó estava desativado. De acordo com frequentadores do local, desde setembro, uma grade impede o acesso da primeira das 11 estações do percurso esportivo. O motivo seria o fim de contrato com a Organização Não Governamental (ONG) Ciranda da Vida.

“Eles (monitores) ficaram até 1º de setembro e ainda trabalharam o mês de agosto de graça”, contou o atendente de uma banca próximo ao parque, Magno Rodrigues. O fluxo de visitantes no local, que aumentou de forma expressiva desde a inauguração do equipamento, caiu pela metade, conforme Magno. “Domingo pela manhã tinha muita gente. Ainda hoje as pessoas perguntam por quê parou de funcionar, aí eu peço para ir até o Centro de Referência (Ambiental)”, disse.

No Centro, administrado pelo Conselho de Políticas e Gestão do Meio Ambiente (Conpam), entretanto, apenas vigilantes estavam trabalhando na tarde do último dia 5. A assessoria do órgão confirmou o não funcionamento do arvorismo e o fim de contrato com a ONG que prestava os serviços de monitoramento.

Reclamação

A canadense Pier Leway descreve como a prática do arvorismo é positiva. “Mexe com o equilíbrio e a força, e é um exercício diferente de apenas caminhar. É motivante porque tem adrenalina”, afirmou. Ela e o namorado foram embora sem informações e deixando de aproveitar a tirolesa, a rede de teia ou o muro de escalada entre as árvores.

Para o professor Silvio de Arruda, 36, ter um espaço e não poder usufruí-lo é um “afronte” à população. “Demorou tanto para ser feito e, agora, nem um ano depois já está sem funcionar? É brincadeira”, disse. O estudante Luis Haroldo Pereira, 19, afirmou que a situação é lamentável. “É um esporte tão legal, deveria continuar”, opinou.

A entidade Ciranda da Vida, que executou o projeto e era responsável pelo monitoramento das atividades de arvorismo, é uma das ONGs que tiveram convênios com a Secretaria do Esporte do Ceará (Sesporte) investigados pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE) por suspeita de irregularidades.

O POVO tentou entrar em contato com a assessoria da Sesporte, mas o telefone disponibilizado pelo Governo estava desligado. O POVO também tentou localizar o responsável pela Ciranda da Vida, porém, nenhum contato foi encontrado.

Serviço

Centro de Referência Ambiental do Parque do Cocó

Onde: próximo ao anfiteatro, na rua Padre Antônio Tomás

Outras informações: (85) 3271 6589


Saiba mais

A Secretaria do Esporte do Ceará (Sesporte) é responsável pelo arvorismo e o Conselho de Políticas e Gestão do Meio Ambiente (Conpam) faz o agendamento de atividades.

O arvorismo é um esporte radical praticado em plataformas e cordas suspensas que têm como base as árvores.

Os equipamentos foram inaugurados no dia 22 de dezembro de 2012, após quatro meses de espera depois de pronto.

Antes do ato oficial, as plataformas eram utilizadas sem qualquer instrução ou equipamento de segurança.

As 11 estações da estrutura, que fica ao lado do anfiteatro do Cocó, são: Tirolesa, Ponte de Tambor, Ponte Nepalesa, Falsa Baiana, Ponte de 3 Cordas, Prancha de Toco, Rede de Teia, Ponte de Troncos, Desafiadora, Rapel e Muro de Escalada.

O percurso tem 288 metros de extensão.

De acordo com o Conpam, o funcionamento do equipamento seria de 8h às 11h e de 13h às 17h durante dias úteis. No fim de semana, o uso deveria ser aberto ao público

O investimento para implantação e operacionalização foi de 
R$ 326 mil.