
RIO – Há pelo menos 50 anos, a valorização da região central das cidades faz parte da estratégia de grandes metrópoles do mundo, como Paris, Londres e Nova York, explica o presidente do IAB Sérgio Magalhães. Além de já oferecerem uma área com toda a infraestrutura urbana instalada, o especialista considera que os centros são fundamentais para a criação de uma identidade cultural local.
Para combater um processo de esvaziamento e decadência, a estratégia americana foi reforçar a centralidade de Manhattan — diz Magalhães. — Os americanos construíram o World Trade Center, aumentaram as linhas de trem e de metrô, fizeram o Lincoln Center e aproveitaram áreas portuária com o Píer 17. Paris, a partir dos anos 70 e, fortemente, nos 80, trilhou o mesmo caminho. Construiu a pirâmide do Museu Louvre, a Biblioteca Nacional, outras dez obras esplendorosas reforçando a ideia de que Paris é compatível com a modernidade. Londres despoluiu o Rio Tâmisa e recuperou seu Centro.
Na América do Sul, também é possível encontrar exemplos de recuperação das áreas centrais. Santigo, no Chile, é um deles. Desde os anos 90 a cidade tem uma política de atração de habitações para suas áreas centrais. O programa vem sendo aplicado com grande êxito, segundo o arquiteto chileno Pablo Contrucci, professor da Universidade Católica daquele país. Ele esteve em Salvador na semana passada para participar do sexto ciclo dos Seminários de Política Urbana Quitandinha+50, que discutiu o esvaziamento de centros urbanos.
— A população do Centro de Santiago aumentou 45% em dez anos — revela Contrucci. — O mais difícil é reverter a imagem de um centro deteriorado, fora de moda, perigoso e socialmente segregado.
Não é de hoje que a revitalização de áreas degradadas chama a atenção. Para explicar o fenômeno, o termo gentrificação foi criado, nos anos 60. Estas áreas passam a receber moradores de classe média devido à valorização imobiliária. Isso, em geral, está relacionado à construção de edifícios modernos e à saída dos antigos habitantes.
Fonte: http://oglobo.globo.com/amanha/revitalizacao-globalizada-da-parte-central-das-cidades-9704568