Paulo Angelim se tornou uma das vozes mais ativas em Fortaleza em defesa do uso da bicicleta.

 


Ele e é arquiteto e urbanista, dono de imobiliária e palestrante do segmento de motivação, mas, em boa medida, os cerca de cinco mil amigos e cinco mil seguidores no Facebook pedalam atrás do ciclista. É sobre o uso da bicicleta como meio de transporte que ele mais tem falado. Paulo Angelim, 48, porém, procura fugir da alcunha de militante virtual. Diz que a prova disso é o fato de ter abolido o carro no cotidiano, como revelam as fotos que ele posta todo dia. Por último, ele toca o projeto “Quixeramobim 2020”. Sonha ver a terra natal como a melhor cidade do Ceará do ponto de vista urbanístico. Angelim foi um dos idealizadores do movimento Viva Fortaleza, que prega a ocupação das ruas e calçadas por ciclistas e pedestres. Como o nome remete à imobiliária dele, deixa pistas de um quê de merchandising. Mas, em tempos de militância apenas nas redes sociais, o calor das ruas oferece realidade para além das postagens.

O POVO – Como foi a sua infância em Quixeramobim?
Paulo Angelim – Foi com tudo aquilo que uma criança do Interior tem direito. Em primeiro lugar, a liberdade de ir e vir. Minha primeira lembrança é de andar de velocípede. Tomávamos banho de açude, e tudo o que nós fazíamos era de bicicleta, pra cima e pra baixo. Não existiam diferenças de classes. Como estudava em escola pública, sentávamos todos ali na mesma sala, comungávamos das mesmas brincadeiras. As lembranças são as melhores possíveis. Só fiz nascer aqui em Fortaleza e com um mês, eu acho, eu fui para Quixeramobim. E só saí de lá com 17 anos, quando entrei na UFC (Universidade Federal do Ceará).

 OP – Como o senhor se tornou corretor de imóveis?
Paulo Angelim – Foi em 2002, quando eu já ministrava cursos nas áreas de vendas e marketing e motivação. Aí, num dia, recebi uma provocação de que os cursos que eu ministrava eram muito bons para os telões, mas que não funcionavam na prática. Aí resolvi entrar na área e provar que as técnicas efetivamente funcionam. Fiz o curso de corretagem, e elegi o Alphaville de Fortaleza como meu primeiro laboratório teste. E acabei sendo campeão de vendas usando exatamente as técnicas que eu usava em meus cursos. E daí nasceu o corretor. E por essas ironias do destino, quem me fez essa provocação foi o meu atual sócio, o Tibério Benevides.

 OP – O que faz de alguém um bom corretor?
Paulo Angelim – O bom vendedor é aquele que tenta enxergar aquela possibilidade de venda pela perspectiva do comprador. É pensar com a cabeça do comprador, não com a cabeça do vendedor. Mas não necessariamente um bom corretor é um bom vendedor de eletrodoméstico. O corretor não pode desperdiçar as chances. Ele é mais assertivo, mas não pode ser inoportuno.

 OP – Está mais difícil investir em imóveis hoje?
Paulo Angelim – Não é que esteja mais difícil investir em imóveis. Hoje você continua a poder ganhar dinheiro com imóvel. O que você precisa ser é mais seletivo. Porque antes você podia comprar qualquer coisa porque tudo vendia. Qualquer um vendia qualquer coisa. Agora não. Como o cliente comprador é um cliente final, não só o investidor, ele demora mais a tomar uma decisão. E isso faz com que a velocidade de venda caia.

 OP – O senhor vê alguma possibilidade de formação de bolha, como apontam alguns economistas?
Paulo Angelim – A bolha só existe quando há insolvência, quando as pessoas não conseguem pagar. E quando uma bolha estoura você não consegue voltar ao estado original. A gente não pode confundir excesso de oferta temporária com bolha. O que existia no mercado paulista, por exemplo, foi um descompasso normal nas unidades comerciais. Então hoje existem unidades comerciais remanescentes em estoque que não foram comercializadas, porque houve um exagero de oferta. Acho que o mercado hoje está mais seletivo, está para profissionais.

 OP – Nos últimos tempos, o senhor ganhou notoriedade nas redes sociais, em particular quando o assunto são as intervenções do poder público na área de mobilidade urbana em Fortaleza. Como o senhor vê esses debates digitais, onde todo mundo parece ter opinião sobre tudo?
Paulo Angelim – Eu acho interessante que as pessoas questionem. Mas como é que um leigo questiona? No momento que eu tenho questionamento sobre algo, eu vou tentar me valer do conhecimento daqueles que estudam efetivamente isso. Fortaleza já tinha dois milhões e 800 mil técnicos da seleção brasileira. Mas agora tem dois milhões e 800 mil engenheiros de tráfego e urbanistas. Eu chamo o Facebook de Praça da Matriz. Lugar para você ver, ser visto, ver o que os outros estão falando e fazer com que os outros escutem o que você está falando. Cada perfil daquele ali é um banco de praça. Só que nós estamos vivendo essa instantaneidade das coisas… interessante que, lá no intimo, é a vontade das pessoas se manifestarem, se encontrarem, conversarem. Precisamos ouvir a opinião do outro.

 OP – O senhor criou inimizades nessas discussões no Facebook?
Paulo Angelim – Sim. E já bani (perfis). Uma coisa maravilhosa do Facebook é você poder banir alguém. Como eu acredito que já tenha sido banido por alguns. Eram ou conhecidos meus ou desconhecidos mesmo que, infelizmente, não conseguem separar a discussão das ideias da discussão das pessoas e acabam afrontando as pessoas, quando o que está em jogo na verdade são as ideias. Eu acho que o Facebook é um grande exercício de boa convivência com a diferença. Eu tenho amigos com os quais divirjo de várias ideias, mas que convivo muito bem.

 OP – O senhor foi um crítico, por exemplo, dos projetos do viaduto no entroncamento das avenidas Engenheiro Santana Júnior e Antônio Sales, e da proposta da Prefeitura para o cruzamento das avenidas Dom Luiz e Desembargador Moreira. O que seria ideal?
Paulo Angelim – Antes de olhar para as soluções que estão sendo apresentadas, eu diria que eu tenho algumas ressalvas quanto ao modo como a Prefeitura vem desenvolvendo isso. Eu sei que existe gente muito bem intencionada e que faz-se necessário (realizá-las), diante do hiato de obras que nós vivenciamos nessa cidade nas duas últimas gestões, mas não se faz necessária uma corrida ensandecida por ganhar esse tempo perdido. A reboque, nós temos uma espécie de desrespeito à boa técnica, que traz implícita a necessidade de conversar com a sociedade.

 OP – Sua crítica, então, não é às soluções, mas ao modo como foram adotadas?
Paulo Angelim – A maneira como se está chegando à solução é atabalhoada. Porque hoje, praticamente, você vê uma Prefeitura que convoca a imprensa na quinta-feira, para apresentar um projeto na sexta, que vai ter início na segunda. E esse projeto não teve tempo de ser discutido. O diálogo não está sendo aberto no momento certo, muitas vezes só é feito depois que os projetos já estão comprometidos. Eu quero crer que nos próximos dois anos a gente não continue incorrendo nesse erro. Estou doido que essa Copa passe logo, porque hoje ela tem sido pretexto para essa prática.

 OP – O senhor apresentou projetos alternativos ao viaduto?
Paulo Angelim – Na época do viaduto, nós tínhamos uma proposta alternativa, mais barata, mais eficiente, que técnicos da própria prefeitura entenderam ser uma proposta viável e conciliadora. A diferença básica é que ela não contemplava o viaduto, mas contemplava a fluidez do transito. A nossa (proposta) teria uma grande rotatória, com faixa para o BRT, ciclofaixa, e teria uma requalificação urbanística, com cinco faixas. Apresentamos até para o chefe de gabinete, mas não conseguimos chegar ao prefeito. Nós entendemos que o prefeito soube disso. Mas já existia uma série de compromissos assumidos. Agora, nós apresentamos uma proposta para essa questão do binário, que eu entendo ser necessário. Mas eu sei que ele está desconexo de um pensar mais amplo. É comprovado matematicamente, pela engenharia de tráfego, que o binário dará uma fluidez maior. Mas nós não vamos conseguir resolver o problema de tráfego em Fortaleza, se nós não pensarmos em criar alternativas de modais para que as pessoas deixem de usar o carro como uma decisão imperativa. E isso não vai ser feito com unanimidade. Alguns sacrifícios terão que ser feitos por parte da população para que a gente alcance níveis de mobilidade. Eu só aprovo o binário porque, no esteio desta proposta, está a implantação de dois modais que eu acredito que podem ser a solução dessas questões de mobilidade de Fortaleza. Os dois binários contemplam cinco faixas: três faixas de veículos, mas uma exclusiva para o transporte coletivo, e a outra para bicicleta, com uma ciclofaixa.

 OP – E qual seria a sua sugestão para a Praça Portugal?
Paulo Angelim – Nessa questão do binário, nós apresentamos uma proposta para a Praça Portugal, para essa grande discussão que hoje existe no que diz respeito a preservar ou não a Praça Portugal. Apresentamos uma proposta que era conciliadora, porque ela guardava todos os elementos simbólicos da Praça Portugal. Guardava o seu desenho circular, inclusive, e os seus desenhos de canteiros. E contemplava a necessidade da Prefeitura de estabelecer ali um cruzamento de duas vias. Mas nós preservaríamos o circulo e as praças laterais. A rotatória deixaria de ser usada para carros e seria usada para pedestres e para atividades de lazer. Então, aparentemente, a praça continuava lá.

 OP – O senhor recebeu alguma resposta por parte da Prefeitura?
Paulo Angelim – Nada. Esse projeto foi enviado para a Setfor (Secretaria de Turismo de Fortaleza) e chegou ao conhecimento do grupo que hoje está à frente do plano de ações de transporte e trânsito. Mas não se conversou mais sobre isso, porque já existia um contrato ganho para o projeto.

 OP – O senhor foi um dos idealizadores do movimento ‘Viva Fortaleza’. O movimento parou?
Paulo Angelim – O movimento hoje está em stand by, por conta dessas frustrações. Nós tentamos fazer isso junto com a Prefeitura. Tivemos algumas conversas com alguns entes da Prefeitura, com a expectativa de trazer vida para as ruas. Já apresentamos propostas, já conversamos com os secretários, e nada disso aconteceu. O nosso grande objetivo era celebrar a rua como grande palco de encontro. Nós tínhamos também uma proposta de ir de bicicleta para a Copa, esse deslocamento seria sustentável e ajudaria na mobilidade. Isso foi proposto ao secretário (estadual) da Copa, Ferrúccio (Feitosa). Mandei isso ao secretário de Esporte e Lazer da Prefeitura, para o secretario de Turismo da Prefeitura de Fortaleza. O fato é que eu nunca recebi uma resposta disso. Então essas coisas frustram demais. E o que eu fiz? Eu disse, vamos deixar aqui em stand by o Viva Fortaleza. Mas ele não vai morrer, a proposta está aí. Eu não estou querendo que as minhas propostas prevaleçam. Eu estou querendo saber se existe a possibilidade de a gente dialogar.

 OP – Foi por essas frustrações que o senhor resolveu apostar em um novo projeto, desta vez em Quixeramobim?
Paulo Angelim – Sim. Foi aí que surgiu o projeto ‘Quixeramobim 2020’, e fui bater a porta do prefeito de Quixeramobim, que é a minha terra natal. O projeto é simples, mas muito ousado. Até 2020, nós queremos ser, do ponto de vista urbanístico, a melhor cidade do estado do estado do Ceará para se viver. Porque uma cidade mais convidativa, mais atraente, ela tem uma economia que pulsa melhor. Então, nós pretendemos transformar Quixeramobim numa cidade mais caminhável, mais ciclável, e mais arborizada. Nós pretendemos, por exemplo, liberar, desobstruir todas as calçadas que hoje estão ocupadas irregularmente, mesmo problema que a gente tem no Centro, com o comércio. Nós pretendemos aumentar a quantidade de calçadas e as suas larguras, regularizá-las, nivelá-las. Não estou ganhando nada com isso, simplesmente estou tentando pagar a dívida que eu tenho com Quixeramobim, que criou os meus valores morais. Que me acolheu num momento extremamente rico que é a infância e primeira juventude.

 OP – O senhor tem alguma pretensão política?
Paulo Angelim – Não. Estou louco que passe logo esse período.

 OP – Por que? Tem recebido convites?
Paulo Angelim – Vários convites. Para deputado estadual, vereador. Existem pessoas que estão dispostas a trabalhar, eventualmente, por uma candidatura minha. Mas a única coisa que está nas minhas pretensões é ajudar. É de alguma forma deixar um legado. É entrar na história como alguém que de alguma forma contribuiu voluntária e incondicionalmente para melhoria da cidade. Mas como não vi muita abertura em Fortaleza para isso, eu voltei o foco para Quixeramobim, sem absolutamente abdicar do desejo de contribuir com Fortaleza. Mas cargo político não está na minha perspectiva em hipótese alguma.

 OP – De onde surgiu sua disposição para a militância?
Paulo Angelim – Eu diria que quem me humanizou foi a bicicleta, a partir do ano passado, por incrível que pareça. Foi quando o meu amigo Alfredinho Montenegro, que foi ciclista profissional, me apresentou a essa bendita bicicleta elétrica, em junho do ano passado. Ela abriu a minha mente. Eu nunca imaginei que essa frase fizesse tanto sentido: “a bicicleta humaniza as pessoas”.

 OP – Como isso aconteceu?
Paulo Angelim – Por força das circunstancias, eu me vi limitado nas minhas corridas – eu sempre pratiquei corrida de rua -, e depois de duas cirurgias no joelho, eu acabei tendo que escolher outra modalidade esportiva. Aí eu fui para a bicicleta. E desde lá, foi que eu comecei a abrir mais os olhos. Eu tinha muito os olhos voltados para a produção imobiliária, como corretor, como arquiteto. Mas essa sensibilidade urbanística começou a aflorar a partir do instante que eu comecei a interagir com a cidade pela perspectiva de um ciclista.

 OP – O que mudou desde então?
Paulo Angelim – A bicicleta nos dá essa condição de interagir com a cidade. De poder não só olhar a cidade, mas sentir a cidade. Você sente cheiros, você conversa com pessoas, você se surpreende com pessoas. Então, as trocas que uma cidade pode proporcionar só são efetivamente realizadas no momento em que você está na condição ou de pedestre ou de ciclista. Então, essa minha visão de mundo só veio a partir do ano passado quando eu me humanizei. Ninguém consegue dizer que vive uma cidade a partir da perspectiva de um carro, você pode até dizer que vive em uma cidade, mas não a vive efetivamente.

 OP – Nem se o carro for um buggy?
Paulo Angelim – (risos) De buggy talvez, talvez. Veja, eu não sou contra carro, absolutamente, mas não podemos deixar que ele continue protagonizando o desenho urbano como vem fazendo nos últimos 50 anos. É preciso que haja uma certa limitação sobre a influencia que ele tem na forma como as cidades são planejadas ou desenvolvidas.

 OP – Quantos carros o senhor tem?
Paulo Angelim – Tenho três carros em casa.

 OP – E em que ocasiões o senhor usa o carro?
Paulo Angelim – Quando vai mais de uma pessoa ou em dia de chuva. Mas, por exemplo, um corretor meu que vai atender um cliente, ou um médico que sai de um plantão para outro, ou pessoas que fazem várias viagens por dia, para locais muitas vezes distantes, essas pessoas devem usar o carro.

 OP – E a bicicleta seria mais adequada a que perfil?
Paulo Angelim – Para aquele que vai e volta para almoçar em casa, num raio de sete quilômetros, ou até mais, é perfeitamente viável. Eu venho ao trabalho de bicicleta, vou almoçar em casa de bicicleta. Volto para casa de bicicleta e vou às minhas reuniões de bicicleta. Hoje tive duas reuniões externas e fui de bicicleta e hoje vou ter mais duas reuniões a tarde e vou de bicicleta. É perfeitamente possível. Nós temos que nos conscientizar é que não são as pessoas de bicicleta que estão prejudicando o trânsito. São aquelas que têm um carro e que poderiam deixá-lo em casa, fazendo o uso desse modal.

 OP – O que o senhor acha do comportamento do motorista com relação ao ciclista?
Paulo Angelim – Eu tento, de alguma forma, ter uma boa convivência. Você precisa respeitar para ser respeitado. Eu ocupo a faixa, que é algo fundamental, para que você não fique pedalando na coxia, porque aí com certeza você vai ser espremido. Você não pode ter medo, mas sempre usando os equipamentos de segurança: capacete, todas as luzes sinalizadoras. O que nós queremos, como militantes do ciclismo, é uma boa e harmoniosa convivência. Não queremos obrigar ninguém a sair do seu carro. Queremos é mostrar que é muito mais saudável e prazeroso (a bicicleta).

 OP – O senhor não acha que falta educação no trânsito também ao ciclista?
Paulo Angelim – Falta. Há também falta de conhecimento, como aos que andam na contramão. Se você pegar metade dos ciclistas que andam na contramão nessas ciclofaixas, você vai ver que essas pessoas acham que estão corretas. E também não tem nenhuma placa indicando que é proibido, só indicações no piso de qual seria o sentido correto. O que falta realmente são as campanhas educativas, que estão previstas no novo plano cicloviário. Então é tempo.

 OP – De que forma, então, o senhor incorpora esses conceitos nos seus projetos?
Paulo Angelim – Eu não tento fazer proselitismo. Eu não tento confundir as coisas, eu não me aproveito, não me aproprio dessa credibilidade que está sendo dada para, de alguma forma, ficar fazendo excesso de promoção. Isso não é um jogo de marketing. É uma ação espontânea minha realmente, de paixão por uma área. Eu sou arquiteto apaixonado pela cidade. E como é que isso se incorpora nos projetos? Hoje eu tenho uma nova visão dos projetos arquitetônicos que a gente tem o privilégio de desenvolver. Recentemente, nós desenvolvemos um manual de gentilezas urbanas nas incorporações imobiliárias. Isso diz respeito a aumentar a largura dos passeios. Num projeto recente que vai ser lançado na região leste de Fortaleza, os passeios estão com seis metros, quando a Prefeitura só exigia dois. Isso é gentileza urbana. Nós temos incorporado os bicicletários. Assim como o uso das grades, ou gradis, em vez dos muros, que segregam.

 OP – Em que medida a sua militância ajuda na visibilidade para a sua empresa?
Paulo Angelim – Ajuda no que se diz respeito à credibilidade. Eu sou empresário imobiliário, e caiu a ficha de que não adianta a gente tentar desenvolver os imóveis ideais para as pessoas morarem numa cidade em que elas não querem mais viver.

 OP – O senhor sente alguma rejeição pelo fato de sua militância não ter nascido dos ditos movimentos sociais ou algum partido político?
Paulo Angelim- O fato de não representar um partido ou ter minhas ideias debaixo de um guarda-chuva legendário por vezes abriu portas, por vezes fechou. Alguns viam mais credibilidade nesta independência. Já com o governo, meu sentimento era de que atrapalhava mais. A impressão que me ficava era de um certo medo de que pudessem estar alimentando um futuro inimigo político. Certa ocasião, ironicamente perguntei a um interlocutor se não era melhor que eu integrasse a base de sustentação para que as idéias fossem melhor acolhidas. Parece existir um certo paradigma de que se movimentar publicamente faz parte, necessariamente, de uma movimentação político partidária. É uma pena que ainda não tenhamos evoluído para um debate independente destes ranços.

Fonte: http://www.opovo.com.br/app/opovo/paginasazuis/2014/05/12/noticiasjornalpaginasazuis,3249369/a-bicicleta-humaniza-as-pessoas.shtml