O debate sobre a mobilidade urbana das 12 cidades-sede da Copa do Mundo no Brasil ganha espaço na rede social Colab.re. Em parceria com o site Catraca Livre e por meio da participação dos cidadãos, o colab.re elabora um mapa virtual com as condições das calçadas por onde a competição da Fifa vai passar.

 


Até chegar aos estádios de futebol, no próximo mês de junho, a Copa do Mundo no Brasil cruza com os problemas de mobilidade urbana das 12 cidades-sede dos jogos. Neste sentido, um projeto vem elaborando uma espécie de “mapa virtual das calçadas” dos 12 núcleos urbanos por onde a Copa vai passar.

Envolvendo a rede social Cola.re, o site Catraca Livre e os cidadãos brasileiros, o mapeamento é feito por informações e propostas sobre as condições das calçadas de:

Fortaleza, São Paulo, Recife, Curitiba, Porto Alegre, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Brasília, Salvador, Natal, Manaus e Cuiabá.

Para participar, é preciso se inscrever no Colab.re (www.colab.re), uma rede social “para a cidadania”, identifica-se, “que faz a ponte entre o cidadão e o poder público”. Pelo computador ou por dispositivos móveis (o Colab.re disponibiliza aplicativos para Android e iPhone), os registros podem ser feitos em textos, imagens ou geolocalização.

O projeto teve início em São Paulo e segue por Fortaleza. Um levantamento parcial, realizado na segunda quinzena de fevereiro, mostra que buracos nas vias, calçadas e estacionamentos irregulares e limpeza urbana são os problemas locais mais denunciados no Colab.re. Cerca de mil internautas de Fortaleza estão inscritos na rede social.

Ainda há tempo para endossar a lista dos problemas e sugerir resoluções. O diagnóstico online sobre a situação das calçadas será entregue aos gestores públicos de cada cidade-sede da Copa. O prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio, deve receber o mapa virtual das calçadas da Capital no próximo mês de abril – a data depende da agenda do prefeito, informa a assessoria de imprensa do Colab.re. “Temos uma ferramenta de gestão para que a prefeitura possa receber essas demandas, encaminhar aos órgãos responsáveis e dar um retorno ao cidadão”, aproxima Gustavo Maia, sócio fundador do Colab.re.

Maia reforça que a rede social foi desenvolvida para ser uma ferramenta de participação popular na reconstrução de cidades melhores: “Há três meios de interação. O primeiro é o fiscalize – e tudo o que recebemos, vamos encaminhando para as prefeituras. Segundo pilar: proponha, onde as pessoas propõem projetos e melhorias. E o terceiro é o avalie, para as pessoas avaliarem serviços e espaços públicos”.

A Copa do Mundo de 2014, que prevê a circulação de 600 mil turistas estrangeiros no Brasil (expectativa do Governo Federal), voltou a atenção também para os problemas de mobilidade urbana. “Uma das prioridades, no mundo, é a calçada, o pedestre”, sublinha Gustavo Maia.

O mapeamento virtual em elaboração pelo Colab.re se propõe como um “exercício de cidadania”, instiga Maia. “O brasileiro, às vezes, esquece de exercer a cidadania porque, durante nossa história, foi calado. Outras vezes, não sabemos como fazer porque os canais de comunicação com a prefeitura são péssimos…. A gente quer que o cidadão se sinta parte da cidade, tem o direito de reivindicar as coisas”, conclui.

NÚMEROS

32,1%

dos internautas de Fortaleza reclamam da limpeza urbana 

21,4%

denunciam buracos na via 

14,3%

apontam calçadas irregulares 

10,7%

delatam estacionamentos irregulares 

3,6%

apontam ocupações irregulares de área pública

Saiba mais

A plataforma Colab.re foi desenvolvida entre outubro de 2012 e março de 2013. Lançada, primeiro, em Pernambuco, cresce pelo País e, este ano, transfere a sede para São Paulo. Em junho do ano passado, abriu espaço para os internautas de Fortaleza. Funcionando como rede social, sintetiza a assessoria de imprensa da empresa, “permite que os cidadãos reportem, diariamente, os problemas dos centros urbanos, proponham novos projetos e soluções e avaliem os serviços públicos”. O debate já é movimentado por cerca de 30 mil usuários cadastrados no Brasil.

Carros estacionados em locais proibidos, focos de dengue, questões de acessibilidade, ocupação irregular do espaço público e qualquer outro problema que cruze o caminho dos cidadãos brasileiros podem ser compartilhados no Colab.re. Da rede social, garantem os idealizadores, os casos chegam às prefeituras. O acesso ao www.colab.re pode ser feito por cadastro via e-mail ou por uma conta no Facebook.

Fonte: http://www.opovo.com.br/app/opovo/dom/2014/03/08/noticiasjornaldom,3217153/copa-do-mundo-imobilidade-urbana-em-fortaleza.shtml